Valor de mercado de ações do 'kit eleição' cresce R$ 185 bi

A euforia que tomou conta do mercado nos últimos dias com o cenário eleitoral fez o valor de mercado total das ações do chamado "kit eleições" avançar quase 20% nos primeiros dias de outubro.

          Particularmente sensíveis à definição do próximo governo, as ações desse grupo encabeçam o rali da bolsa de valores no mês e são peça importante a impulsionar o índice Ibovespa ao patamar dos 86 mil pontos.

         Somado, o valor de mercado de dez empresas que compõem o "kit" era de R$ 931 bilhões no fim de setembro e, agora, passou a R$ 1,12 trilhão, um aumento de 19,9% no período, ou de R$ 185 bilhões. As 62 empresas que fazem parte do Ibovespa, por sua vez, tiveram um incremento de valor de mercado de 8,1% no mesmo intervalo, saindo de R$ 2,67 trilhões no fim do mês passado para R$ 2,89 trilhões.

         O "kit eleições" é formado por papéis de companhias estatais (Petrobras, Eletrobrás e Banco do Brasil), bancos privados (Itaú Unibanco e Bradesco), varejistas (Magazine Luiza e Lojas Renner), elétricas (Cemig e Copel), além de Embraer, do estratégico setor de aeronáutica. Trata-se de corporações que, por diferentes motivos, são diretamente impactadas pelo desfecho das eleições.

         O giro financeiro dessas companhias confirma a força desse movimento favorável observado em outubro. Tanto o Ibovespa quanto o "kit eleições" registraram um crescimento de cerca de 60% do montante médio diário movimentado em bolsa.

         O volume diário médio de negócios de ações do Ibovespa, que era de R$ 7,6 bilhões em setembro, saltou para R$ 14,7 bilhões neste mês. Desse total, o kit eleição respondeu por 45%.

         Petrobras e Itaú Unibanco, com valores de mercado de R$ 371,5 bilhões e R$ 301,7 bilhões, respectivamente, estão entre as empresas mais valiosas do "kit eleições", bem como de toda a bolsa de valores, seguidas por Bradesco (R$ 209,1 bilhões), Banco do Brasil (R$ 111,7 bilhões) e Eletrobrás (R$ 31,9 bilhões).

         A trajetória ascendente do valor dessas companhias guarda estreita relação com o noticiário político-eleitoral no período. Ao longo da primeira semana de outubro, pesquisas de intenção de voto começaram a indicar o fortalecimento de Jair Bolsonaro (PSL) -- candidato mais alinhado às pautas econômicas defendidas pelo mercado financeiro --, o que provocou uma primeira onda de otimismo entre os investidores.

         As ações do Banco do Brasil e da Eletrobrás, por exemplo, tiveram uma alta de cerca de 21% só na semana passada.

         No entanto, o resultado ainda mais forte que o previsto obtido por Bolsonaro no primeiro turno, somado ao avanço de seu partido no Congresso, gerou nova onda compradora.

         Ontem, a forte valorização dos papéis freou parte das apostas dos investidores em alguns papéis, mas outros mantiveram a tendência favorável. Foi o caso, por exemplo, de Petrobras -- com alta de 1,85% da ação ordinária e de 0,83% da ação preferencial. O Banco do Brasil fez parte do grupo de ativos que passaram por um ajuste após os ganhos, encerrando ontem em queda de 0,51%.

         Para o Bradesco BBI, a probabilidade de que os ajustes fiscais continuem após as eleições cresceu de 70% para 85%, com 40% de chance de uma reforma profunda ocorrer e 45% de probabilidade de uma reforma parcial.

         Em relatório de estratégia assinado por André Carvalho, o banco prevê, no melhor cenário, uma reforma fiscal profunda via ajustes para regras da Previdência Social, com pelo menos R$ 800 bilhões em cortes de gastos nos próximos 10 anos.

         Isso colocaria o Ibovespa em alta adicional de 39,4% em relação ao fechamento de ontem, aos 120 mil pontos, nos próximos 12 meses e a taxa de câmbio em R$ 3,30 no fim deste ano.

         Já no cenário de reforma fiscal parcial, diversas medidas de ajuste devem ser aprovadas, embora a Previdência deva sofrer alterações mais modestas. Neste caso, o Bradesco BBI projeta uma alta de 16,2% para o Ibovespa em relação aos atuais níveis, a 100 mil pontos, nos próximos 12 meses, enquanto o câmbio iria a R$ 3,65 no fim de 2018.

         "Alguns clientes vêm demonstrando medo de entrar na bolsa nesses patamares e certamente o mercado ficará à espera da confirmação dos cenários mais otimistas. Mas, se isso acontecer, teremos apostas mais firmes e entrada de capital externo na bolsa, além de mais fundos locais que estavam 'pequenos' em ações do Brasil", afirma Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor.

         De acordo com relatório de análise gráfica do Itaú BBA, o Ibovespa mantém a tendência de alta até as máximas históricas do índice, já no nível dos 88 mil pontos -- e uma correção só deve acontecer se ele perder o forte suporte de 85.100 pontos no fechamento.

         Se superar a resistência histórica, o índice deve conseguir ter valorização adicional até os 94 mil pontos -- uma alta de 9,2% em relação a hoje. (do Valor Econômico)

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