Títulos bancários são opção para quem busca segurança

A incerteza do período eleitoral leva os investidores a buscarem ativos mais seguros. E, com os juros básicos da economia na mínima histórica, em 6,5% ao ano, cresce a procura pelos títulos bancários. Estes, no caso dos bancos de menor porte, chegam a pagar 14% ao ano e oferecem garantias caso a instituição venha a enfrentar problemas.

            “Em maio, com a paralisação dos caminhoneiros, os investidores começaram a migrar de investimentos mais arriscados, como os multimercados, e aumentou a demanda por ativos atrelados a juros.Os clientes buscam um porto seguro, e os títulos bancários possuem algumas garantias”, afirma Bruno Saads, responsável pela área de renda fixa da XP Investimentos.

         Esses títulos bancários formam uma sopa de letrinhas. Os mais comuns são os certificados de depósito bancário (CDBs) e as letras de câmbio (LCs), mas também há as letras de crédito imobiliário (LCIs) e agrícola (LCAs), que são isentas do Imposto de Renda (IR). Só o estoque de CDBs, em junho, estava em R$ 799 bilhões, quase R$ 90 bilhões acima do registrado no fim do ano passado, segundo dados da Anbima.

Garantia e prazos. Os papéis emitidos por bancos são garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que funciona como uma espécie de seguro do sistema. Caso um banco quebre, o investidor consegue reaver o montante investido, no limite de R$ 250 mil por CPF. O FGC também vale para depósitos em poupança ou conta corrente.

            Fabio Macedo, diretor comercial da Easynvest, lembra que os maiores rendimentos são encontrados nas instituições menores. Sem rede de agências para conquistar clientes, elas precisam oferecer uma rentabilidade maior para captar o dinheiro dos investidores.

            Para quem quer investir por mais de três anos, é possível aplicar em CDBs que pagam quase 14% ao ano. Mesmo considerando o IR — de 22,5% para resgates antes de seis meses, recuando até 15% para prazos superiores a dois anos —, é um rendimento atraente.

            “Os juros são mais elevados. Quanto maior o prazo, maior a taxa final. Mas o investidor precisa saber qual é seu objetivo, para não precisar resgatar o dinheiro no curto prazo” — explica.

            Arnaldo Curvello, gestor da Ativa Investimentos, lembra que o investidor encontrará três tipos de remuneração. A primeira inclui aquelas atreladas ao DI, que é a taxa interbancária, próxima à Selic. Em geral, um banco médio paga ao menos 120% do DI, o que dá quase 9% ao ano, mas essa rentabilidade vai variar de acordo com as movimentações da taxa básica da economia.

         O papel também pode ser prefixado, sendo comum encontrar opções que pagam ao menos 11% ao ano. Há ainda a opção atrelada à inflação, em que o investidor recebe a correção do IPCA mais um juro (chamado de cupom).

            “Para a pessoa física, quando o cupom está elevado, perto de 6%, é interessante optar por esses papéis corrigidos pela inflação. Ela não vai perder dinheiro, uma vez que a correção pela inflação protege o investimento em caso de o IPCA explodir”, diz Curvello.

            O Banco Fibra tem papéis corrigidos pela inflação que ainda pagam 7,35% ao ano para quem deixar o dinheiro por cinco anos. A financeira da casa tem letras de câmbio com rentabilidade de 13,60% ao ano para aplicações por quatro anos ,e, pelo mesmo prazo, o Banco Semear paga 129,50% do DI. Esses são apenas alguns exemplos do que o investidor pode encontrar.

Nota do banco. Mas, apesar da garantia do FGC, é importante o investidor se informar sobre a instituição na qual vai aplicar. Curvello recomenda ver a nota de crédito que ela recebe das agências de avaliação de risco — em geral, para os mais conservadores, o ideal é que tenha uma nota no mínimo “A” — e saber se o banco está muito alavancado, ou seja, já perto do limite que tem para conceder empréstimo (e, por isso, tem pressa em captar recursos para continuar emprestando).

         Na avaliação de Natalia Rabinovitch, gestora da Azimut Brasil Wealth Management, é importante o investidor fazer a conta para saber se o que mais vale são as opções isentas do IR, que em geral têm demanda maior devido ao incentivo fiscal, ou os CDBs. Muitas vezes, diz, é possível encontrar CDB com rentabilidade, já descontado o IR, superior à de uma LCI emitida por um mesmo banco e prazo:

            “Quando o investidor olha as opções de investimento dentro dos limites do FGC, encontra rentabilidades interessantes, até mesmo para os mais conservadores”. (de O Globo)

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