Surpresa nos juros provoca perda e confunde investidor

Ao decidir manter inalterada a taxa básica de juros (Selic) em 6,5% ao ano, depois de sinalizar que a reduziria pelo menos mais uma vez, o Comitê de Política Monetária (Copom) provocou corrida dos investidores para ajustar suas apostas de curto prazo.

       Além das perdas causadas a dois terços do mercado, a decisão comprometeu a efetividade da comunicação do Banco Central e deixou os analistas sem orientação quanto aos próximos passos.

       O mercado de contratos de juros com prazos mais curtos negociados na bolsa tiveram o dia mais nervoso desde o estouro da crise política, há exatamente um ano, quando os donos da JBS acusaram o presidente Michel Temer de corrupção. O volume de operações chegou ontem a seis milhões, perto do recorde, e concentrado no curto prazo.

       O real sofreu desvalorização de 0,61% ontem, com o dólar cotado a R$ 3,7015, maior valor em 26 meses. Desde abril, quando investidores começaram a tirar dinheiro dos emergentes, o real acumula perda de 10,76% -- no ano, de 10,48%. O mercado acionário também sofreu por causa da surpresa com o Copom. Num dia em que as bolsas no exterior recuaram muito pouco, a B3 caiu 3,37%, perdendo mais de três mil pontos, para fechar a 83.622 pontos.

       Na visão de operadores, o Copom deu a entender que não baixou a Selic porque estaria preocupado com o cenário externo, marcado por forte volatilidade, valorização do dólar e saída de capitais dos emergentes, com acentuada desvalorização de suas moedas. Manter o juro mais alto significa, em tese, evitar que o diferencial de taxas entre Brasil e EUA estimule o investidor a deixar o país.

       "A questão é que o Banco Central construiu um discurso, da reunião passada para esta, que acabou induzindo o mercado a erro", diz Luiz Fernando Figueiredo, sócio da gestora Mauá. Para José Márcio Camargo, da Opus, "o BC colocou em campo um jogador que não havia antes [o câmbio]. E isso é ruim". (do Valor Econômico)

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