Dólar abre a R$ 3,67; juros disparam após decisão do BC

Os juros futuros de curto prazo disparam na abertura da sessão desta quinta-feira, evidenciado a surpresa no mercado com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) anunciada no dia anterior.

         Enquanto boa parte das apostas apontava para novo corte da Selic, o colegiado manteve a taxa estável, em 6,50% ao ano, diante da piora do balanço de riscos, principalmente em relação ao ambiente externo.

         A correção no mercado de DI fica clara no avanço superior a 20 pontos-base no DI janeiro de 2019 e no DI janeiro de 2020, que refletem as leituras para política monetária até o encerramento do próximo ano.

         Se mantida a variação até o fim do dia, será o maior solavanco para o DI janeiro de 2019 desde que o mercado foi tomado pelas denúncias de executivos da JBS contra o presidente Michel Temer, há um ano. Na ocasião, a alta nesses trechos foi de 100 pontos-base.

         De acordo com um operador, a decisão do Copom pega o mercado “na contramão”, principalmente, após a entrevista do presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, realizada na semana passada, um dia antes do período de silêncio.

         Na ocasião, o dirigente do BC destacou a importância da inflação, expectativas para índices de preço e a atividade econômica para as decisões de política monetária. Para boa parte do mercado, a mensagem na ocasião foi de que ainda haveria espaço nos fundamentos econômicos para corte da Selic, a despeito da instabilidade do câmbio.

         O contexto de liquidez internacional menos favorável foi fator preponderante na decisão do Copom de ontem, destaca o economista-chefe do Rabobank Brasil, Maurício Oreng.

         Para o especialista, o risco externo fez o Copom alterar o plano de curtíssimo prazo. No comunicado, o colegiado associa a decisão a uma deterioração no balanço de riscos com um cenário externo pior. Isso teria tornado desnecessária a adoção de mais estímulo, que anteriormente visava mitigar riscos de postergação no processo de convergência da inflação para a meta.

         O comportamento do dólar e dos juros mais longos nesta manhã de quinta-feira também é condizente com uma resposta à surpresa com o Copom.

         Esses vencimentos se beneficiam da manutenção da Selic e operam em baixa, invertendo a dinâmica que perdurou durante boa parte do ciclo de cortes de juros quando os longos subiam e os curtos caíam.

         A manutenção da meta Selic evitou nova queda do diferencial de juros e, com isso, o real teria algum espaço para se valorizar. É o que se observa por ora: o dólar comercial marcava R$ 3,6735 às 9h48, em baixa de 0,15%, tendo registrado mínima de R$ 3,6490 e máxima de R$ 3,6750.

         O real não só caminha na contramão dos demais emergentes, que perdem terreno para o dólar, como também tem o melhor desempenho do dia numa lista das principais divisas globais. O contrato futuro para junho, por sua vez, recuava 0,52%, a R$ 3,6620.

         No mercado de juros futuros, o DI janeiro/2019 avançava a 6,530% (6,320% no ajuste anterior); O DI janeiro/2020 subia a 7,490% (7,340% no ajuste anterior); O DI janeiro/2021 tinha alta a 8,520% (8,460% no ajuste anterior); O DI janeiro/2023 recuava a 9,580% (9,630% no ajuste anterior); DI janeiro/2025 cedia a 10,020% (10,110% no ajuste anterior). (do Valor Econômico)

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