BTG sela acordo para trazer fundo de Mobius para A. Latina

Em janeiro, quando Mark Mobius ensaiou a aposentadoria após mais de 30 anos na Franklin Templeton, houve quem questionasse se o guru dos mercados emergentes penduraria as chuteiras.

A resposta viria poucos meses depois, com a fundação da Mobius Capital Partners, para onde o veterano gestor levou dois executivos da antiga casa, Carlos Handenberg e Greg Konieczny, numa proposta para um fundo de ações com foco em empresas comprometidas com boas práticas de governança corporativa e responsabilidade social e ambiental (ESG, pela sigla em inglês).

Agora, a estratégia chega à América Latina e ao Brasil por meio de um acordo de distribuição fechado com o BTG Pactual.

Essa é a segunda parceria com assets internacionais, selada pela instituição, que em julho trouxe um portfólio de renda fixa da Robeco, gestora holandesa que tem sob seu guarda-chuva mais de US$ 200 bilhões.

Dois outros acordos estão no forno e fazem parte do plano do banco de ofertar nomes de grife da gestão global nos mercados onde tem presença na América Latina.

Mobius não faz estimativas em relação à captação na região, mas se mostra animado com o acordo. "Esperamos que os participantes do mercado fiquem entusiasmados com a perspectiva de ganhar exposição à próxima geração de potenciais líderes ESG, que já estão operando tanto localmente quanto em mercados emergentes e de fronteira mais amplos."

Para Marcos Pimentel, sócio e chefe global de vendas do BTG, as economias que têm investidores mais internacionalizados, como Chile e Peru, tendem a responder pela maior parte da alocação, enquanto no Brasil esse tipo de demanda começa a ser testada. No total, o fundo deve ter um patrimônio de US$ 1 bilhão a US$ 1,5 bilhão, e o banco pretende contribuir com algo entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões.

"O brasileiro está muito acostumado a viver bolsa e renda fixa no Brasil. Mas, ao perceber que a rentabilidade nos produtos investidos vem caindo, ele deve buscar alternativas fora do país, seja um investidor na ponta das plataformas, seja um fundo de pensão que esteja 100% no pacote Brasil", diz Pimentel.

Conforme cita, excluindo o Brasil da conta, de um total de US$ 700 bilhões na América Latina, os investidores da região têm cerca de US$ 180 bilhões no exterior.

Um levantamento recente da J.P. Morgan Asset Management mostra que o valor sob gestão de fundos constituídos no Brasil ("feeder") para aplicar em carteiras no exterior quadruplicou desde dezembro de 2016, passando de R$ 4,6 bilhões para a casa dos R$ 18 bilhões. Embora o crescimento tenha sido acelerado, a proporção em relação ao total do setor, de mais de R$ 4,4 trilhões, é pouco expressiva.

O Mobius Emerging Markets Fund vai ser acessado pelo investidor institucional por meio de um veículo Sicav (de "Société d'Investissement à Capital Variable"), o equivalente a um fundo aberto, domiciliado em Luxemburgo. Vai investir em empresas de médio porte em mercados emergentes e de fronteira. A taxa de administração é de 1,5%, mais 15% de performance sobre o que exceder a variação do dólar, mais 5%.

Para o varejo, o portfólio da Mobius deve chegar por meio de um feeder global, cujos parâmetros ainda estão sendo definidos. Segundo Caio Mantovani, diretor de distribuição ao varejo e canais digitais do BTG Pactual, o fundo da Robeco está disponível em 12 plataformas, e acata aplicações a partir de R$ 5 mil.

Diferentemente do portfólio da Robeco, o fundo da Mobius não contará com proteção cambial. "Um fundo de ações em mercados emergentes não faria muito sentido ter hedge", afirma Pimentel. (do Valor Econômico)

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