Aposta em proteína animal leva Cargill a lucro recorde

As vendas de ração e de carnes se tornaram as maiores fontes de lucros da Cargill e ajudaram a gigante agrícola a neutralizar as pressões enfrentadas por sua área mais tradicional de operações, de comercialização de grãos.

            A empresa informou ontem que teve lucro líquido de US$ 3,1 bilhões no ano fiscal encerrado em 31 de maio, 9% a mais que em 2017. O lucro operacional, que não leva em conta itens extraordinários, foi de US$ 3,2 bilhões, 6% de alta. Os dois números, excluindo operações e investimentos descontinuados, são os maiores nos 153 anos de história da Cargill.

            Pelo segundo ano consecutivo, a divisão de proteína e nutrição animal foi a que mais contribuiu para o lucro do ano.

            A Cargill é uma das maiores comercializadoras de grãos do mundo e concorre com Archer Daniels Midland (ADM), Bunge e Louis Dreyfus no segmento. Diferentemente dessas rivais, também produz carnes. A Cargill, cuja sede fica no Estado de Minnesota (EUA), é a maior processadora de carne moída do mundo, além de processar e exportar produtos avícolas.

            A empresa investiu pesadamente em carnes e em ração para bovinos, aves e peixes, apostando que a demanda por proteína iria aumentar. Sob o comando do executivo-chefe David MacLennan desde 2013, a empresa adquiriu operações de nutrição animal como a norueguesa Ewos, de ração para salmão, e a Diamond V, empresa de nutrição animal. Também comprou ou abriu fábricas de processamento de ração em países como China, Índia e Estados Unidos.

            Além disso, ampliou sua linha de produtos de carne. Comprou a processadora colombiana de frangos Pollos el Bucanero e a fornecedora de frios e carnes pré-cozidas Five Star Custom Foods. Em 2016, saiu da área de carne suína, depois de concluir que suas operações não tinham escala suficiente.

            O avanço no mercado de proteínas acontece em meio ao aumento do consumo de carnes em países emergentes. Os criadores também passaram a alimentar suas galinhas e suínos com mais rações compostas de proteínas vegetais, como farelo de soja. Na China, a Cargill distribui a marca de frango Sun Valley, usando mercados on-line como a Alibaba e Tencent.

            "Nossos fortes resultados mostram que estamos criando as conexões que o mundo precisa para uma agricultura e alimentação dinâmicas tanto hoje quanto amanhã", disse MacLennan em comunicado.

            A principal divisão de trading de grãos da Cargill, conhecida como "originação e processamento" também registrou aumento no lucro operacional em relação ao ano fiscal anterior. A baixa atividade nos mercados mundiais de grãos tem dificultado o trabalho de comercialização há muitos anos, mas a Cargill disse que a volatilidade vista depois da recente seca na Argentina, grande exportador de grãos, ajudou o segmento a obter seus melhores resultados para um quarto trimestre em sete anos.

            "Com os mercados se mexendo e os preços deixando para trás seus patamares mais baixos, houve melhora nos resultados com produção, processamento e comercialização em regiões-chave", segundo a empresa.

            A indústria de carne bovina da América do Norte teve grandes margens de lucro neste ano graças ao declínio nos preços do boi. No segundo trimestre de 2018, a diferença média entre o preço da libra-peso (454 gramas) dos cortes de carne e do boi vivo era de US$ 3,47, 23% a mais do que um ano antes, de acordo com o Livestock Marketing Information Center.

            A unidade Cargill Protein, de ovos, aves e carne bovina na América do Norte, com sede em Wichita, Kansas, tem 28 mil funcionários -- quase 20% do quadro pessoal da empresa. Na Tailândia, as operações de aves da Cargill empregam mais de 13 mil pessoas. (do Valor Econômico)

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