Redes de franquias lucram mais mas depuram quantitativamente

Embora o setor de franquias tenha crescido 8%, em termos de faturamento, no primeiro semestre deste ano, houve no período uma redução no número de empresas operando pelo sistema. A queda foi de 2%, passando de 3.039 ao final de 2016 para 2.979 ao término de junho. No ano passado, o número de redes também diminuiu, em 1,1%, frente a 2015.

O dado, divulgado ontem pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), não foi visto pela entidade, contudo, como algo preocupante, na medida em que representa uma profissionalização do ramo.

"As redes que deixaram de operar em geral foram marcas pequenas que não tinham condições ou vontade de atuar pelo franchising. Não vemos como um movimento preocupante e sim como uma profissionalização e consolidação do mercado", explica o presidente da ABF, Altino Cristofoletti Junior.

De acordo com ele, a perspectiva é de que o número de redes continue diminuindo até o final deste ano, para se estabilizar em 2018. Dali em diante, a perspectiva é que o número se mantenha praticamente estável (com redes entrando e saindo na mesma proporção).

O movimento de redução no total de marcas foi visto como positivo também porque contribuiu para um aumento na média de unidades por redes, que chegou a 48 ao final do segundo trimestre. O indicador, segundo Cristofoletti, é um importante termômetro do grau de maturidade de um mercado. Nos Estados Unidos, por exemplo, a média é de 208 operações por rede de franquia, e no Japão é de 196.

"Temos visto um aumento sistemático dessa média, fruto da consolidação e profissionalização do setor de franquias. A tendência é continuar nesse nível de crescimento, já que teremos uma estabilização no número de marcas, e o total de unidades seguirá crescendo."

Faturamento. Nos primeiros seis meses deste ano, a ABF reportou um avanço nominal de 8% no faturamento, que passou de R$ 68,8 bilhões no período de janeiro a junho de 2016, para cerca de R$ 74,4 bilhões neste ano.

Com o resultado, a entidade manteve a projeção para o desempenho do consolidado do ano, que deve variar entre 7% a 9% de crescimento nominal. "Tivemos um segundo trimestre positivo, principalmente diante da queda da inflação. A perspectiva é de que o setor siga com um crescimento moderado, mostrando uma lenta recuperação", afirma a gerente de inteligência de mercado da associação, Vanessa Bretas.

Em relação à abertura de novas unidades, o desempenho também foi positivo, embora inferior às médias históricas. Nos primeiros seis meses do ano, o saldo foi de 3,1%, frente ao mesmo período do ano passado. De acordo com o presidente da ABF, a entidade tem percebido um foco muito grande na expansão interna, ou seja, franqueados que já operam na rede abrindo outras unidades. "É um movimento que vem crescendo e mostra o amadurecimento do setor."

O executivo ressalta ainda a tendência de interiorização das redes de franquias, que continua forte e se refletiu na participação das regiões no total de unidades. O sudeste perdeu 0,8 ponto percentual, enquanto a fatia do Nordeste, Centro-Oeste e Norte subiu. (do DCI)

Comentários
Sem comentários ainda. Seja o primeiro.