Bolsa sobe 1,5% e bate recorde com o otimismo sobre reforma

O índice de referência Ibovespa da B3 (antiga Bovespa) fechou em alta de 1,54% nesta terça-feira, a primeira em três pregões, encerrando aos 76.897 pontos. Com isso, o indicador renovou sua máxima histórica para fechamentos de pregão. Segundo analistas, notícias publicadas na imprensa animaram os investidores com a perspectiva de que o Congresso tentará passar uma reforma da Previdência nos próximos meses, ainda que enxuta, além de o relator da denúncia contra o presidente Temer ter votado pela rejeição da acusação.

No câmbio, o dólar comercial operou em queda ao longo de toda a sessão, seguindo o comportamento da divisa americana frente aos seus pares globais, mas acabou fechando estável, cotado a R$ 3,185 para venda. Lá fora, o índice Dollar Spot, da Bloomberg, que mede a força da divisa contra dez moedas, caiu 0,3% diante de rumores de que o plano fiscal de Donald Trump não tem o suporte necessário para ser aprovado no Congresso.

“Hoje, o principal foco foi a retomada do otimismo com a reforma da Previdência. De acordo com a imprensa, os deputados governistas estão trabalhando em uma reforma mínima, que seria votada já em novembro. Será enxuta, concentrada nos pontos principais, mas ajudaria” — afirmou a economista da Azimut Brasil Wealth Management, Helena Veronese. “Além disso, a alta do petróleo no mercado internacional ajuda a Bolsa.

Segundo reportagem publicada por O Estado de S. Paulo ontem, um grupo de deputados da base do governo prepara um texto alternativo ao parecer do deputado Arthur de Oliveira Maia (PPS-BA), aprovado em maio em comissão especial da Casa.

Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) afirmou ao jornal que a emenda deve se concentrar em três mudanças: a idade mínima para aposentadoria, o tempo mínimo de contribuição e uma regra de transição para quem já contribui hoje com a Previdência.

O analista sênior da agência de classificação de risco Moody’s Mauro Leos afirmou nesta terça-feira que, caso não haja reforma da Previdência, a decisão sobre a nota de crédito do Brasil será fácil — indicando que o país voltaria a ser rebaixado se isso ocorrer.

Na Bolsa, puxaram a sessão as valorizações dos papéis do setor bancário, da Ambev e da Petrobras, em dia de valorização do petróleo no mercado internacional. O Itaú Unibanco subiu 2,49%, enquanto o Bradesco avançou 2,12%. O Banco do Brasil teve alta de 2,13%.

“A alta da Bolsa mostra a solidez do fluxo positivo de recursos, que se faz presente mesmo em um dia de poucos eventos econômicos”, disse Raphael Figueredo, sócio da Eleven Financial Research.

Na Petrobras, o papel ON subiu 1,46%, enquanto o PN teve valorização de 1,89%. Os preços dos contratos futuros de petróleo operam com alta de mais de 1%, com a expectativa de que mais países possamm aderir ao programa de redução de produção acordado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e e pela Rússia. O barril do tipo WTI subiu 2,86%, a US$ 51. Já o Brent avançou 1,42%, a US$ 56,58 o barril.

A JBS subiu 0,83%, a R$ 8,49. Isso apesar de o Ministério Público Federal (MPF) defender que o grupo J&F indenize o BNDES com um valor superior ao previsto no acordo de leniência, em razão de aportes do banco num fundo de investimentos que ainda não foram alvo de investigação e sobre os quais há suspeita de prejuízo para a instituição. O montante a ser indenizado ao banco de fomento seria de, ao menos, R$ 2,1 bilhões.

A maior alta percentual veio da Gerdau, que avançou 4,21%.

Na Europa, o índice Ibex 35, da Bolsa de Madri, foi o maior destaque negativo, perdendo 0,92% em dia de encontro no parlamento da Catalunha sobre o resultado do referendo de 1º de outubro, que acabou levando à declaração unilateral de independência da região espanhola. (de O Globo)

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