BC faz restrições à compra de 49,9% da XP pelo Itaú

O Banco Central está exigindo mudanças significativas no acordo da compra de fatia da XP Investimentos pelo Itaú, como condição para aprovar o negócio, anunciado há pouco mais de um ano e já aprovada pelo Cade.

         A solução preferida pela autoridade monetária é que o Itaú adquira participação acionária inferior aos 49,9% da XP. No entendimento do BC, esta seria a forma mais eficiente de garantir que a independência da plataforma de investimentos será preservada.

         Mas há outras propostas. Uma delas é que as partes abram mão das opções de compra e venda do controle previstas no contrato. Pelo acordo, a partir de 2024 os sócios da XP, liderados pelo controlador Guilherme Benchimol, têm a opção de vender todas as suas ações ao Itaú, saindo do negócio.

         Da mesma forma, o Itaú tem opção de compra do controle a partir de 2033. Sem essas opções, não haveria caminho pré-acordado para que o Itaú se torne controlador no futuro -- o que tem provocado muitas críticas.

         Outra possibilidade seria limitar a participação do Itaú na governança da XP. Pelo contrato, o Itaú teria direito a dois membros no conselho de administração da corretora, a indicar uma lista tríplice para a escolha do vice-presidente financeiro (CFO) e a nomear o conselho fiscal da XP.

         Segundo o Valor Econômico apurou, para o BC essa saída não oferece garantia suficiente de independência da XP para seguir como plataforma aberta de produtos de investimento.

         A autoridade pode, adicionalmente, impor novas medidas à própria XP. Uma nova rodada de conversas entre o BC e as duas partes está prevista para esta semana.

         Segundo uma pessoa envolvida no processo, uma solução deve ser construída, porque o BC indicou que não pretende vetar o negócio, mas já deixou claro que a operação será aprovada com restrições bem mais abrangentes do que aquelas negociadas com o Cade.

         Ainda de acordo com essa fonte, tanto o banco quanto a corretora mantêm o interesse em seguir com a operação, mesmo em novas bases. Banco Central, XP e Itaú não quiseram comentar o assunto. (do Valor Econômico)

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